8 de maio de 2010

Ana - Engenheiros do Hawaii

Em frente ao bar ele estava.
Com as mãos nos cabelos bagunçados, remexidos com breves espaços marcados pelos dedos. Estava entorpecido de vida. E ele, sentado, bêbado, vendo a vida corrente correndo dele. E ela passava, a vida, rápida aos seus olhos enquanto todos também passavam, menos Ana. Ele gemia tão profundo "eu fui sincero Ana, eu fui sincero" e as pessoas, loucas, passavam e diziam pelo canto da boca olhando pelo canto dos olhos "é só droga." E por instantes já estava roendo as unhas, falando sem pensar. Sofrendo sua bebedeira acabada, falida, chorando Ana.
O dono do bar chegava mais perto, agaichava e suspirava baixinho baixinho com gosto de chá verde na boca "você não tem culpa mais se ela é um labirinto." O cigarro já estava queimando seus dedos todos, fumando de mal jeito, com um vinho barato e jogado no banheiro. Enquanto o espelho dizia "Ana." E ele procurava, procurava Ana sem saber.
Ana era a vida que corria dele. Então seu reflexo gritava no silêncio do bar fechado no centro da cidade, no silêncio do banheiro, no silêncio gritava: Ana!

6 comentários:

Nine Frescorato disse...

"vendo a vida corrente correndo dele.", já senti isso tantas vezes na vida, mas, mais num sentido de achar que não estou sabendo aproveitar, "a vida é urgente porque é finita"...
Ah! Que chique hein? Coisas que eu escrevi passeando pelo twitter... Obrigada!
Tô sempre passando por aqui, viu? Adoro seu blog.
bjinhus!

* Mari Sottomaior disse...

Gostei do seu blog e do modo como escreve. =)

Beijão

C. disse...

"E ela passava, a vida, rápida aos seus olhos enquanto todos também passavam, menos Ana"
Lindo o texto. Lindo o blog *-*

Mari disse...

E cadê a Ana?

;)

Srtvasconcelos disse...

Eu adoro engenheiros. To seguindo aqui, eu adoro esse layout, tava com ele até esses dias.

* Mari Sottomaior disse...

Obrigada pela ajuda querida! =*